Projeto
Florânia, escondida nas serras

Conclusão

Para quem não acredita nas facetas da internet, meu primeiro contato com a cidade de Florânia foi através de um ‘chat’, como chamam as salas de bate-papo da rede; foi lá que eu conheci Damiana, 37, uma Floraniense que me ofereceu algumas rápidas impressões da cidade. Procurava um município que não fosse muito conhecido, mas que tivesse muito a conhecer (e sim, lá tem muito a se conhecer), além de, claro, me fornecesse algum apoio para a realização do trabalho. Nisso aquele papo foi ideal, como funcionária da Prefeitura Municipal de Florânia, Damiana pode não apenas me apresentar o município como também fazer a ponte entre esse trabalho e a prefeitura, que prontamente se interessaram pela iniciativa. Apoio confirmado, hora de começar a trabalhar.

A minha recepção na cidade não poderia ter sido melhor, ainda dentro do ônibus, depois de mais de três horas de viagem e uma troca de ônibus em Currais novos, chegava à cidade em um final de tarde de abril e foi justamente pela janela do ônibus que tive, se não a mais, uma das mais belas visões da cidade, que foi aquele magnífico por de sol no meio das serras. Aquela vista me entrou com um tom onírico, remontando os velhos rabiscos de criança, quando a harmonia maior era exato um por de sol dentre serras, pássaros voando e muito verde; era uma perfeita reprodução em escala real de meus desenhos infantis.

Foi por esse motivo que antes de falar qualquer coisa, pus na página dois justamente a primeira imagem que de lá registrei e, em fazer isso, fui contra as normas da reportagem fotográfica (nem era a intenção seguí-las) que aponta como regra iniciar a fotoreportagem por uma imagem clara para depois termina-la com uma imagem escura, fazendo alusão ao ciclo do dia, entretanto, também ao final quebro com a regra pondo uma foto clara, evidenciando a simplicidade daquele povo, pois achei que esse era o grande gancho da cidade, não a arquitetura, a natureza, a religiosidade, mas sim e antes de tudo a hospitalidade de suas casas modestas, a calma do abrigo nas sombras das árvores e a simplicidade que é marca registrada de cidades que, como Florânia, serão talvez os últimos refúgios dessa nossa sociedade moderna, frenética e gananciosa.

Florânia ainda é um lugar que se sobrevive feliz com pouco, ao bel-prazer do frio das serras, praças e calçadas. Que a modernidade continue lutando em invadir Florânia, e que a Florânia nunca se renda a ela, numa batalha em que a cidade parece se valer de suas defesas naturais, as serras, suas mulharas. Pude constatar, que ela é perfeita para o turismo ecológico por causa da rica natureza das serras, mas também do turimo rural, que só pede a simplicidade rural, e ainda do turismo religioso, por meio de suas crenças, em que destacamos o Monte das Grasças. Sim, realmente o turismo poderia se tornar uma fonte de renda para a cidade, mas para isso virar realidade vai depender da iniciativa do poder público em seguir a divulgação e estruturação do município para esse fim.

Do ponto de vista da fotografia, foi possível enquadrar a vida e história desse povo floraniense, que hospitaleiramente me recebeu, as poesias dispostas ao entorno das imagens nãointerferem nelas por serem uma outra espécie de arte, logo, como explica Heidegger, a obra de arte caracteriza-se pelo fato de se impor como digna de atenção enquanto tal; a grande quantidade de poetas populares em Florânia facilitou a tarefa de utilizar a mensagem poética e em muito enriqueceu este trabalho. O formato separando imagem e texto, acarretou a desvinculação do entendimento obrigatório do texto (tanto da matéria em si, quanto das legendas) para se compreender a imagem, que recebe as diversas interpretaçoes do leitor. Sendo assim esse trabalho têm o número de conotações que o leitor conseguir decifrar.

É preciso ressaltar que as histórias, folclores e curiosidades aqui descritas, foram em quase sua totalidade colhidas em entrevistas, bate-papos com os habitantes locais e, por isso, podem sucitar distorsões da realidade; mas tudo isso faz parte da cultura e é necessário valorizar a nossa cultura tão rica e esquecida.

Objetivo
Justificativa
Metodologia
Pétalas
Fotos
Conclusão
Bibliografia

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