Cultura

A cultura está especialmente presente na Biblioteca Pública Municipal Inácio Araújo, fundada em 25 de abril de 1951, hoje com 53 anos de atividades, pode-se orgulhar de ser referência para a região e de freqüentemente ser visitada por moradores de dentro e fora da cidade, a qual realmente demonstra ter tino pela cultura, cujas principais expressões são o Teatro de rua e o grupo teatral Teônia Amaral, o Pastoril, a Seresta – onde o finado Vinoca, morto em 1999, ainda é recordado, as telas de Márcio Jerônimo, o desenho de Chagas e as esculturas de J Junior,
Exposição das telas do artísta plástico Márcio Jerônimo
À esquerda, uma exposição de livros na Biblioteca Pública Municipal Inácio Araújo durante a comemoração de seu cinquentenário e, abaixo, uma apresentação do Grupo Pastoril durante festividades na cidade.
além dos muitos artesãos, poetas, para os quais o município editou o livro coletânia “Poetas de Florânia”, com poesias de alguns; e os violeiros – com ênfase para a figura de André Violeiro, remanescente com 65 anos.
Também pode-se citar o clube municipal e as festas de carnaval, quando se repete a tradição da noiva: quem descobre a identidade da noiva fantasiada que passeia pela cidade, ganha um presente; o carnaflor (carnaval fora de época de Florânia) que ocorreu apenas uma vez em 1996, tinha tudo para ser mais um evento da cidade, já a Festa do Luar é uma tradição que acontece a 32 anos durante a lua de agosto, nela, é escolhida a rainha do luar, título que era muito disputado entre as moças das famílias tradicionais do município.
À esquerda, o desfile da noiva disfarçada pela cidade e, à direita, as Disputantes pelo título de Rainha do Luar na 1ª Festa do Luar, em 1967.
(Nêgo, Ovênia, Luiza, Rosa, Marlene, Lelé, Julieta, Goreth Nobre, Teresinha toscano e Concita).

Desfile do Bloco Carnavalesco Foguehte

À esquerda, um Grupo de teatro de rua composto por jovens da comunidade em apresentação (2003) e, à direita, banca com artesanato local.
Aliás, Florânia é muito falada por ser terra de mulher bonita, os concursos de miss são bastante valorizados e a cidade já teve várias entre as eleitas mais belas do Seridó. Outro costume, são as festas juninas, cujo destaque fica por conta da quadrilha ‘Pisa na Fulô’, representante da cidade nas festas e concursos de quadrilhas.
A cantora de Xote,Teresinha de Jesus, que despontou nos anos 80 a nível nacional, lançando LP’s produzidos por grandes nomes como Sivuca, é fruto da terra floraniense:
“Esse sotaque forte que vem lá do Norte
Lá dointerior/Me devolve a emoção que a cidade grade / tanto me tirou...”(‘Sotaque’-Sivuca e Ana Terra)
Ana Luiza Toscano, Miss Florânia 1990.
(Foto: Lourenzo)

A Quadrilha Pisa na Fulô em uma de suas apresentações

Outro artista que não alcançou a fama de Teresinha, mas que se faz presente na história de Florânia é o tocador de fole, Raul Soares, ‘seu Raul’, 85 anos, seu Raul é lembrado porque ele e seu fole eram os animadores do carrossel de seu Francisco, que era o grande divertimento das crianças do passado, dizem que ele ficava no centro do carrossel – que ainda era manual – enquanto girava; porém seu Raul guarda outras lembranças, como a dos tempos que animava o velho cabaré da Rua do Arame, onde ganhava alguns bons trocados, curioso é saber que o cabaré foi obra da administração de Posidônia Amaral, que acreditava ser uma obra necessária à cidade. Seu Raul também gosta de mostrar as relíquias que possui em sua coleção de moedas, algumas datam ainda da época do Império do Brasil outras já nem se pode precisar data de tão desgastadas pelo tempo que estão.

Por último, mas não de menor valor, está a centenária banda Arnaldo Toscano, baluarte da cultura local, que anima as comemorações religiosas da cidade, a festa de Nossa Senhora das Graças, no monte da das Graças, em novembro, e a festa de São Sebastião, padroeiro da cidade, em janeiro. Esta banda é um dos grandes orgulhos da cidade e já foi campeã do concurso de bandas do estado, tendo a frente o maestro Marciano Ribeiro da Costa, que com seus 91 anos de vida é um respeitado morador de Florânia, a batuta da banda, ele passou para o filho, Marciano Junior, que leva a diante a tradição da família.

Seu Raul com a sua sanfona e a coleção de moedas antigas.
Como boa cidade do interior, não poderia faltar uma variedade de comidas típicas: Bolo Preto (Misturam-se o ovo, o açúcar, o melaço, a manteiga e a canela, peneira-se a farinha com o bicarbonato e junta-se ao preparado anterior assim como as frutas passadas pela máquina. Mistura-se sem trabalhar muito e deita-se a mistura numa forma redonda forrada com papel vegetal, untada e polvilhada com farinha, cozer em forno quente), arroz doce – com rapadura, arroz de leite,
espécie de castanha, alfenim (um doce popular, feito de massa de açúcar, muito branquinho, de formas variadas. Os árabes levaram para Portugal e Espanha e os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil), fiós, a forte umbuzada, bejú de caco, panelada (É uma comida preparada com os intestinos, os pés e alguns miúdos do boi, com toucinho, linguiça ou chouriço, devidamente temperada. Serve-se, com pirão escaldado feito do caldo da panelada e farinha-de-mandioca) e o caboclo da caridade – feito com perna de boi e ovos.

O Quentão é típico de festas juninas (Numa panela doure o açúcar e o gengibre, junte a canela e o cravo, acrescente a água e depois a cachaça), Suor de Virgem e o Mijo de menino, são licores, sendo que o segundo é usado para comemorar o resguardo da mãe.

Florânia é portanto, uma cidade em que se respira cultura, onde as raízes são valorizadas e as novas gerações, interessadas pela perpetuação das tradições.

 

Página Principal